Vítimas de massacre nos anos 80,
índios akuntsu perigam perder a língua

FLÁVIA MARTIN
da Editoria de Treinamento

Os mesmos tratores de esteira --aqueles capazes de derrubar grandes árvores-- usados para dizimar os canoés, em Rondônia, foram os que também reduziram a população dos akuntsus a seis falantes, que moram a 4 km de distância da outra aldeia.

É sob essa hipótese que trabalhou Vincent Carelli, cineasta chamado para registrar os vestígios do massacre no sul de Rondônia, em 1986.

Nove anos mais tarde, foram achados os sobreviventes. As imagens acima foram feitas entre 1995 e 1996 com Konibu (deitado na rede), o cacique da aldeia, e com Passaká (de boné), indígena da etnia mequen que, pela proximidade linguística com os akuntsus, fez as vezes de intérprete.

Durante mais de 15 anos, Carelli registrou as investigações sobre o massacre. O material foi reunido no documentário "Corumbiara", nome da cidade em que ficam as aldeias dos akuntsus e dos canoés.

A fita levou o prêmio de melhor filme no Festival Internacional de Cinema Ambiental, realizado em junho, em Goiás (GO), e uma menção honrosa no festival É Tudo Verdade, no início do ano, em São Paulo.